
A maior parte do que se ensina sobre fisioterapia na doença de Parkinson foi construída com pacientes nos estágios inicial e intermediário. A diretriz da American Physical Therapy Association (2022) avalia sobretudo pessoas em Hoehn & Yahr 1 a 3. Na clínica, porém, o paciente que chega ao domicílio, à instituição de longa permanência e ao estágio costuma ser outro: mais de 80 anos, muitos anos de doença, tronco fletido, congelamento, quedas repetidas, flutuações motoras, declínio cognitivo e um cuidador sobrecarregado.
Esta aula é dedicada a esse paciente: a pessoa idosa com doença de Parkinson em fase avançada, nos estágios 4 e 5 de Hoehn & Yahr. O foco é o raciocínio clínico de avaliação e tratamento, sustentado pela melhor evidência disponível, e uma discussão honesta sobre como decidir quando a evidência é escassa.
Avaliação na fase avançada
Como estadiar e documentar o paciente que já não realiza os testes convencionais.
Instrumentos viáveis para transferências, mobilidade no leito, equilíbrio e marcha.
Rastreio do congelamento da marcha e do histórico de quedas.
Hipotensão ortostática e flutuação on/off: o que medir antes de cada sessão.
Eficácia da tosse e risco respiratório.
Impacto do declínio cognitivo na escolha da conduta.
Tratamento baseado em evidência
O que a literatura sustenta para a fase avançada e onde ela ainda é limitada.
Treino de transferências e de mobilidade funcional.
Estratégias cognitivas de movimento e pistas externas: quando ajudam e quando sobrecarregam o paciente com declínio cognitivo.
Postura, prevenção de quedas e adaptação do ambiente.
Fisioterapia respiratória e higiene brônquica na prevenção de complicações.
Orientação e treinamento do cuidador.
Como definir metas realistas: o que ainda treinar, o que adaptar e o que proteger.
Para quem é
Fisioterapeutas e estudantes de Fisioterapia que atendem ou atenderão pessoas idosas com doença de Parkinson em domicílio, em clínicas, em instituições de longa permanência ou no estágio supervisionado.
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Doutor e Mestre em Ciências pelo Programa de Reabilitação e Desempenho Funcional da FMRP-USP. Especialista em Fisioterapia Gerontológica (ABRAFIGE) e Gestão em Saúde (Claretiano). É Coordenador Geral de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão e Professor no UNIFAFIBE, onde coordena o Centro de Estudos e Pesquisa do Desenvolvimento Regional (CEPeD). Tem experiência consolidada em biomecânica aplicada, eletromiografia, gestão de comitês de ética em pesquisa e reabilitação gerontológica. Atua também como editor acadêmico e revisor de periódicos internacionais.


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